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domingo, dezembro 20, 2009

Pós-Modernidade: sociedade em constante mudança


Uma lógica cultural que valoriza o relativismo e a indiferença, mudanças dos sistemas produtivos e crise do trabalho. Falência de propostas como aquelas da Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade. Essas são algumas características que o professor Márcio Balbino Calcante, geógrafo da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e especialista em Ciências Ambientais, atribui ao que alguns chamam de pós-modernidade ou segunda modernidade. Existem, porém, os que questionam até mesmo sua pertinência e significado.

Embora já tenhamos vivido 100 anos desde o fim do realismo, em 1900, que deu lugar à modernidade, os conceitos de moderno e pós-moderno ainda não estão bem claros. O cientista político e ensaísta brasileiro Sérgio Paulo Rouanet, no estudo “As origens do Iluminismo”, diz que o prefixo pós tem o sentido de expurgar a modernidade, que ocupa o lugar do velho, e não o de criar o novo, que seria o pós-moderno.

Supremacia sobre todas as coisas

Para a professora de Filosofia da PUC Minas, Maria de Lourdes Caldas Gouveia, doutora em Filosofia pela Universidade Complutense de Madri, o pós-moderno além de uma perda de referência quanto ao domínio da racionalidade é um tipo de pensamento que se evidencia após a revolução industrial com todas as suas mudanças na cultura e até mesmo na natureza, resultantes das interferências da industrialização sobre os rios, as escolhas de agriculturas e as inumeráveis agressões ao meio. Há um traço de arrogância racionalista no uso dos recursos naturais nesse período indicando um homem egoísta e fechado em seus desejos. Não somente a forma de pensar e de utilizar os recursos naturais marcam a ação do homem pós-moderno em sua relação com a natureza, mas um domínio sem limites, uma completa falta de respeito diante das ”coisas do mundo”. Ele, homem, senhor da razão, sendo o centro de tudo. Tudo lhe pertence e sobre tudo ele tem supremacia.

Transgressão e ousadia

Contraponto à modernidade. Pretensão de se reorganizar num lugar novo, romper com o passado e quebrar a lógica aristotélica de começo meio e fim. “A pós-modernidade é a nossa percepção de que todas as vezes em que retomamos algo, dentro na nossa cultura, acabamos caindo no oposto”. Esta é a definição do diretor de teatro Ronaldo Boschi para o novo contexto que sucede e, ao mesmo tempo, convive com os valores da modernidade.

Boschi, que é também professor de Circuitos Artísticos, Literatura e Comunicação a partir do texto literário, na PUC Minas, ensina História da Arte e Texto Teatral na Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), diz que a palavra primeira da pós-modernidade é a transgressão, lugar onde tudo pode. “A gente deixa de trabalhar com isto ou com o aquilo e passa a trabalhar com os dois ao mesmo tempo. Dentro desta cultura, temos hoje acontecendo em primeiro plano esse excesso de desmontagem: de sistema e de posturas anteriores que eram óbvias e precisavam fechar com a lógica aristotélica”.

Quando se aborda o pós-modernismo se fala da transgressão e da ousadia para o novo. Segundo Ronaldo Boschi, a percepção do lugar virtual, a partir da computação, ajudou muito. Ele lembra o princípio do século XX, com a popularização da fotografia, seguida da televisão e do computador. “A computação nos abriu os olhos sobre as nossas possibilidades virtuais e a nossa relação com o todo”, observa.

Diferente da Semana de 22 (subtítulo)

Quando se fala da desconstrução no pós-modernismo, segundo Boschi, está implícita a percepção de mil outros caminhos que ficam abertos, diferentemente do que ocorreu na Semana de Arte Moderna, de 1922, quando o objetivo era desconstruir o realismo do passado, no sentido de destruição.

“No moderno se trabalhava com a ideia do concreto e do abstrato. Hoje trabalha-se com a ideia do virtual. No livro “O que é o Virtual”, Pierre Lévy nos dá uma visão ampla das possibilidades atuais: da empresa que não precisa ter mais endereço físico, do cidadão que trabalha na rua a partir de uma máquina, e que se relaciona com o mundo por meio do computador e essa possibilidade de certa forma desmonta todos os acessórios anteriores”.

Ronaldo Boschi acredita que, na pós-modernidade, muda-se o meio de atuação do artista, do trabalhador que, nos tempos modernos - como mostra o filme homônimo de Charllin Chaplin, tinha medo da máquina. “Achávamos que ela iria tomar o lugar do homem, hoje percebemos o avesso, ou seja, que a máquina é a ponte para tudo”.

Ser X Ter (subtítulo)

O professor da PUC Minas concorda que, do ponto de vista do conteúdo, dos valores, o ser, tido com valor intrínseco na modernidade, perde força para o ter, característica marcante na pós-modernidade. Segundo ele, atualmente, o que se vê é a relação material, mas o que não se vê é mais amplo, ou seja, as estratégias usadas para que se chegue ao material concretizado. “Então se trabalha mais com a ideia e com a possibilidade virtual. “O virtual não nega a realidade, ela existe, só que às vezes não foi percebida”, avalia. O professor observa que o realismo morre em 1900, com o rompimento que a modernidade veio trazer e a pós-modernidade amplia o lugar do moderno.

Com relação aos valores, Boschi afirma que a ideia hoje é a do tudo pode. “O valor depende do olhar de quem está falando. E os olhares hoje não são mais únicos. No realismo, todos nós enxergávamos com a mesma idéia de valor. A moeda era uma só, a percepção era única. Hoje, quando se fala em ética, ela está hiper ampliada, porque vai depender do lugar, do momento, onde a pessoa se situa."

FONTE: JORNAL DE OPINIÃO

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