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quinta-feira, março 04, 2010

A incorrupção dos corpos



A imprensa divulgou que o Papa João Paulo II, após a abertura do túmulo do Papa João XXIII, teve uma grande surpresa, ao verificar o estado de preservação do corpo. Apesar da prudência da Igreja em afirmar qualquer milagre neste caso, devido às condições favoráveis para a preservação em que o corpo se encontra, levantou-se a possibilidade de uma graça sobrenatural. A atitude da Igreja Católica sempre foi de muita cautela diante de fatos inusitados, inclusive perante a preservação dos corpos de pessoas santas. Esse fato trouxe à tona o intrigante tema da chamada incorrupção dos corpos.
No livro do Eclesiastes, lê-se esta frase: “Lembra-te que és pó. E ao pó retornarás”. Além de lembrar ao homem sua condição perecível e transitória, essa sentença recorda a aniquilação física, a decomposição do organismo após a morte. Essa realidade poderia ser universal se não fossem as exceções, embora raríssimas, de não decomposição física. Essa exceção é conhecida pelo nome de Incorrupção.
A Incorrupção é a preservação do corpo humano da deterioração que comumente afeta todo organismo poucos dias após a morte. É evidente que são excluídas as mumificações, as saponificações e outros processos químicos de preservação dos corpos dos mortos, pois seriam incorrupções artificiais.
O primeiro documento de autenticidade indiscutível que relata uma Incorrupção data do século IV e é redigido por Paulino, secretário de Santo Ambrósio, Bispo de Milão: este documento é redigido em forma de carta dirigida ao Bispo de Hipona, Santo Agostinho. Paulino descreve o descobrimento feito por Ambrósio: “Por este tempo, ele – Ambrósio – encontrou o corpo do mártir Nazário que se encontrava enterrado num jardim fora da cidade de Milão; recolheu o corpo e o trasladou para a Basílica dos Apóstolos. No túmulo foi encontrada a cabeça, que fora decepada pelos inimigos, em perfeito estado, como se tivesse apenas sido colocada junto ao corpo, do qual emanava sangue vivo e uma fragrância que superava todos os perfumes.” Tinham transcorrido 200 anos do martírio.
Interessam-nos mais as preservações a partir do século XVI, por possuirmos fontes históricas mais comprovadas e mais fidedignas. Em 19 de outubro de 1634, falecia a Madre Inês de Jesus, priora de Langeac. Seu corpo foi sepultado, sem sofrer qualquer processo de extração de entranhas ou de embalsamamento. Passados alguns anos, o sr. Bispo, em vista do processo de beatificação, ordenou que seus restos fossem exumados. O corpo foi encontrado sem sinal de decomposição. Trasladações e verificações foram realizadas até o ano de 1770. Em 1698 e 1770, cientistas, cirurgiões e médicos declararam que, humanamente, a preservação do corpo era inexplicável. São Vicente de Paula faleceu em 1660. Para atender aos pedidos de canonização, a exumação do corpo foi feita em 1712, depois de mais de 50 anos de sua morte. Aberto o túmulo, na expressão de uma testemunha ocular, “tudo estava como quando foi enterrado”. Quantos puderam vê-lo observaram que seu corpo estava em perfeitas condições e os médicos atestaram que o corpo não podia ter sido preservado por meio natural algum, durante tanto tempo.
Uma outra narração nos chama a atenção: é a do mártir jesuíta André Bobola, que, tendo combatido com sua palavra os cismáticos russos, tornando-se conhecido como o “apóstolo de Pinsk” atraiu o ódio de seus adversários, os cossacos; e foi submetido a um cruel martírio. Em mãos dos cossacos, e recusando-se a aceitar o cisma russo, foi açoitado, ultrajado de uma maneira incrível. Quarenta e quatro anos mais tarde, o reitor do colégio dos jesuítas de Pinsk, por uma visão ou sonho que acreditou ser sobrenatural, fez uma investigação para encontrar o corpo do mártir. Foi encontrado, segundo todas as aparências, exatamente no mesmo estado em que fora depositado: com as mutilações, continuava íntegro e incorrupto; as articulações continuavam flexíveis; a carne, nas partes menos afetadas pelas mutilações, era elástica e o sangue que cobria o cadáver parecia recém-coagulado. O último exame ordenado pela Santa Sé teve lugar e 1730 – setenta anos depois da morte. Seis eclesiásticos e cinco médicos mantiveram as declarações anteriores. Também eles declararam que o corpo, exceto as feridas causadas pelos assassinos, estava intacto; a carne conservava-se flexível e sua preservação não poderia ser atribuída a uma causa natural. Em 1835, a preservação do corpo foi aceita pela Congregação dos Ritos, como um dos milagres exigidos para a beatificação. Segundo testemunhas, nenhum corpo dos depositados na cripta onde se encontrava o corpo de André Bobola foi preservado.
Imunidade surpreendente foi outorgada a João Maria Vianney, o célebre Cura D’Ars que morreu em 1859 e foi beatificado em 1905. Idêntico privilégio coube à vidente de Lourdes, Bernardete Soubirous, que faleceu em 1879 com a idade de 34 anos. Em 1909, passados 30 anos, o corpo foi exumado e uma testemunha afirma: “Não havia o menor indício de corrupção. Seu rosto aparecia levemente escurecido e os olhos um tanto afundados, parecendo estar dormindo”. O corpo foi novamente encerrado num ataúde juntamente com um informe do estado em que foi encontrado. Fato semelhante se deu com outra vidente de Nossa senhora, Santa Catarina Labouré.
Incorrupção parcial ou de um membro
Se a preservação total ou parcial da corrupção de alguns corpos é um assunto intrigante para a ciência e enigmático também para a Igreja, para a qual a simples constatação da incorrupção não é critério de santidade e, portanto, milagre evidente, muito mais intrigante e enigmática é a preservação de um determinado membro de um corpo que foi reduzido a pó. Será, logicamente, muito mais difícil para a ciência encontrar uma explicação para tal preservação e um caminho muito mais aberto e claro para a Igreja afirmar o fato como miraculoso. Interessante é observar que a parte do corpo incorrupta se relaciona com o dom da perfeição e a prerrogativa da virtude da pessoa.
Nenhum exemplo poderia ser mais sugestivo para discernir a Providência Divina do que a preservação parcial do coração de santa Brígida e Santa Teresa de Jesus, bem como de seu braço, da língua de Santo Antônio, de São João Nepomuceno e da beata Batista Varani.
Além da incorrupção total e parcial, observam-se também fatos inexplicáveis como a ausência de rigidez cadavérica – existem pelo menos 50 fatos estudados na Igreja, dentre eles o de São Francisco e Assis – e a destilação de líquido semelhante a óleo vegetal de corpos incorruptos.
A incorrupção e a ciência
Há aqueles que afirmam que a sobriedade na comida e na bebida, característica de todos os ascetas, pode modificar completamente as condições do metabolismo normal e tende a eliminar certa classe de micróbios que são mais ativos no processo de putrefação; poderíamos replicar que existem muitas pessoas pobres ou doentes ou por opção que são abstêmias e, uma vez mortas, a lei da decomposição as acompanha normalmente.
A experiência comum mostra que, não concorrendo condições extremas excepcionais, por exemplo, um frio intenso, a decomposição chega, mais cedo ou mais tarde e que antes de passados 15 dias da morte, são visíveis os primeiros sinais.
E o problema tornar-se-á ainda mais insolúvel para o cientista ao constatar que as incorrupções são verificadas em místicos e santos católicos. Não consta historicamente, apesar de aprofundadas pesquisas na procura, que pessoas de outros credos e em qualquer outro tempo, tenham manifestado ausência de rigidez cadavérica. No catolicismo, ela é exclusiva de pessoas que em vida manifestaram uma expressiva santidade, mas não de todos os grandes santos, pois nenhum milagre tem regras fixas.
Aqui nos defrontamos com um fenômeno de todo inusitado e inexplicável para o qual a ciência e a parapsicologia não são capazes de encontrar nenhuma explicação razoável e satisfatória, apesar de se tratar de casos fáceis de examinar e constatar qualquer vestígio de explicação, caso fosse possível.
A evidência do fato é indiscutível: o homem se defronta, uma vez mais, com o absoluto Senhor da Vida, que pode manifestar-Se igualmente na morte para testemunhar a Doutrina e santidade de seus santos. Na verdade, a incorrupção dos corpos parece ser um sinal que antecipa o quanto possível a grande consumação da vitória de Cristo sobre a morte e que acontecerá no último dia: a ressurreição da carne.                  Fonte: Comunidade Pantokrator

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